Florbela Espanca, Amar!

Oleh: Kleiton Renzo
19 de novembro de 2015

A primeira vez que li Florbela Espanca já estava na adolescência, perdido entre livros da coluna de literatura da Escola Técnica Federal do Amazonas, hoje IFAM. Idos de 99.

“Amar!” foi um daqueles sonetos que durante algum tempo, sempre que possível, era (re) lido, (re) sentido, (re) significado, relembrado. Foi com grande satisfação que depois percebi que o Raimundo Fagner tinha musicado poemas dela e o resultado vocês já conhecem.

há braços,

r.

Florbela-Espanca

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

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